Lélia de Almeida Gonzalez (1935-1994) foi uma intelectual e liderança do movimento negro brasileiro nas décadas de 1970 e 1980, celebrada por sua produção teórica precursora do feminismo negro. Há, contudo, uma parte de sua obra pouco conhecida, aquela na qual elegeu as práticas culturais como um lócus de observação e principalmente de disputa de narrativas nacionais, como as festas populares. A exposição Lélia em nós: festas populares e amefricanidade, realizada no Sesc Vila Mariana, propôs um diálogo entre pensamento social, artes visuais e cultura popular a partir da pesquisa desenvolvida por Gonzalez para o livro Festas populares no Brasil (1987/2024) para pensar a dimensão estética, simbólica e política de suas manifestações, como carnaval, festas juninas, bumba-meu-boi, cavalhadas, maracatus, afoxés, e muitas outras, destacando sua origem e constituição fundamentalmente “amefricana” – termo cunhado por Gonzalez.
Lélia de Almeida Gonzalez (1935-1994) was an intellectual and leader of the Brazilian Black movement in the 1970s and 1980s, celebrated for her theoretical production, and a precursor of Black feminism. There is, however, a part of her work that is little known, in which she chose cultural practices as a locus for observation and, above all, for disputing national narratives, such as popular festivals. The exhibition Lélia em nós: festas populares e amefricanidade proposed a dialogue between social thought, visual arts and popular culture based on the research developed by Gonzalez for the book Festas populares no Brasil (1987/2024) to think about the aesthetic, symbolic and political dimension of its manifestations, such as Carnival, June festivals, Bumba-Meu-Boi, Cavalhadas, Maracatus, Afoxés, and many others, highlighting its fundamentally Black-American origin and constitution – or “Amefrican”, a term coined by Gonzalez.